Somos operários.

Você se desdobra, estuda, trabalha, engorda e adoece. Quase morre de enxaqueca e dor nas costas, todo dia é dia para perder a paciência e voltar a si, mais de dez vezes. Não desiste, sabe que um dia será recompensado, sabe que um dia será valorizado pelo seu esforço; mas logo se da conta que na verdade não desiste, simplesmente porque sabe que não têm ninguém para fazer por você. E aí, quando tudo são flores, aparecem os invejosos. Afinal, o que é mais um dia de suor na vida de quem ‘nasceu para ser operário’?

Olho por olho

Lama nacional, em Mariana e no Senado, sangue mundial, aqui, na França, na Síria em todo lugar, o sangue que escorre em nossas mãos é fruto de atitudes repetitivas e não-funcionais, que vem refletindo e refletindo destruição a décadas, além da corrupção e o descaso que vivemos em nosso país, causando uma dos crimes ambientais mais repugnantes já ocorridos. Quando isso vai acabar? Qual são os valores das vidas que perdemos pelas mãos da Vale em Mariana? Quando é que vamos perceber que, não se paga sangue, com massacres, não se paga dor, com sofrimento, não se paga guerra com mais e mais destruição; quando é que vamos entender que, olho por olho, o mundo todo logo vai acabar cego.