Sobre a ansiedade.

Nota: Esse texto pode conter traços de minha personalidade mais obscura, pode te parecer doloroso e insuportável pensar como eu penso, ou pelo menos tentar. Lembro que estes são delírios de minha mente em momentos comuns noturnos, que hoje acontecem raramente, as soluções ainda não descobri e, se descobrir, dedicarei um novo texto aos chamados e autodenominados: ansiosos.

O meu dia não começa ao nascer do sol. Ele começa ao encostar minha cabeça milimetricamente no meio do travesseiro depois de virá-lo 2 ou três vezes afim de encontrar o melhor lado, como sempre por volta da 1 hora da manhã. Ali dentro do meu quarto, sobre a minha cama, acontece uma tormenta, são relâmpagos, são tempestades de planejamentos para o dia seguinte como se fosse ele o último e eu tivesse que fazer todas as coisas restantes em minha vida em um pífio período de 24 horas. Vinte e quatro horas? Mas que droga, já pararam para pensar que o dia não têm 24 horas? O dia têm bem menos, já que eu durmo 5 horas, ou 10 durante o final de semana.

Já são 3 da madrugada terça-feira, me restam 3 horas de sono…’eu devia ter dormido mais cedo’, penso isso todos os dias como se eu fosse capaz de dormir assim que quisesse, em um estalo de dedos. Tudo bem, já desenhei todas as possibilidades em minha cabeça de quais alternativas teria para dormir de uma hora para a outra mas, eu preciso dormir, e preciso agora. Mas o ventilador faz um barulho ensurdecedor, desligo-o e, começo novamente meu ritual com o travesseiro e pensamentos. Coceira, mal-estar, dores inexistentes, inexplicáveis, pensamentos descontrolados, desconexões totais que por alguns instantes, chegam a parecer com o sono, mas no fim não passam de delírios. Vozes e passos nas ruas, ruídos de pneus no asfalto a alguns quilômetros dali. A quantos quilômetros esse cachorro que late desesperadamente pode estar? Alergia, tosse, incômodo, enxaqueca. Tudo soa como se estivesse ao meu lado, o mundo ruge, as árvores rangem, as luzes da cidade continuam acesas, os bêbados ainda estão nas mesas, nos bares…falta ar, ficar aqui e desejar tanto apenas duas coisas: me desligar e dormir.

Afinal quantos trabalhos da faculdade eu tenho para entregar? E se no meu serviço todas as coisas estivessem em dia? E se me ajudassem na hora em que preciso, ao invés de marcar hora? Eu odeio marcar horas. Tenho repulsa de agendas. Eu odeio reuniões com horas marcadas sobre determinados assuntos que, não podem ser minimamente antecipados; é impossível responder um email, atender um telefonema ou finalizar alguma coisa aguardando o ponteiro do relógio virar, para conhecer um assunto que poderiam ter me adiantado, a espera é um veneno, a frase ‘a gente tem que conversar’ são as presas da cobra peçonhenta chamada ansiedade. Falando em relógio, agora já são 4:30. Está quente, eu preciso de água, é impossível dormir com a boca seca. Tento cronometrar os segundos os quais ‘rastejo’ em direção a geladeira, aliás depois de um certo tempo, passo a contar cada minuto perdido de sono.

Fome. Porque algumas pessoas são ansiosas e não comem e, só comigo (metaforicamente falando) tem de ser ao contrário? Algumas bolachas, um copo de leite e o estômago forrado, isso deve resolver meu problema e trazer o sono de volta. Daqui a menos de 2 horas tenho que me levantar. Inconscientemente começo a imaginar a bobagem que, sempre que dormimos para acordar pouco tempo depois nos sentimos mais cansados do que se não dormíssemos realmente; e esse pensamento se confronta com o outro de que eu tenho que dormir, eu preciso dormir imediatamente. Destilo as mais mirabolantes teorias defendendo as duas teses, devaneios tolos, prós e contras, de dormir ou não dormir mais, qual seria a minha situação durante o dia, ou a noite durante a faculdade, sinto minha olheiras sem ser necessário olhar no espelho, elas doem, os ossos todos doem…a dor, é real, uma hora se passou, olho a minha frente e ali estão as bolachas e o leite, olhando para mim como se fosse um louco. E quem dirá que eu não seria?

Volto para o quarto sem muitas esperanças. Por mais que eu tente, o meu sono só vêm quando o relógio desperta interrompido pelas minhas mãos em menos de 5 segundos, seguido de um bocejo despejado e desejado pela madrugada toda, perdida nos lampejos de minha mente incontrolável, insaciável. Nesse momento todos os pensamentos desaparecem, meu corpo se move automaticamente para dentro de minhas roupas, meus pés escorregam para dentro dos sapatos velhos e minha camisa parece abotoar sem qualquer ajuda. A água que jogo no rosto, queima meus olhos como se fosse molho de pimenta, não há tempo para fazer café, não há tempo para se olhar mais de uma vez no espelho e, por fim mal o quero. Entro no carro, paro em meio ao trânsito e me preparo, para mais um dia sem fim.

Agora sou como os bêbados na mesa do bar, diferente apenas pelo fato de ter que trabalhar.

Embriagado de sono, dopado de anseios.

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