Quando não há saída.

Eu vejo a janela com os vidros quebrados, vejo os estilhaços, cada um dos pedaços jogados ao chão e, mesmo assim, não há saída. Não é questão de ser impaciente mas, não dá pra levar, não da pra esperar, não há como sentar e imaginar que tudo vai se resolver com o tempo.

Eis me aqui novamente, alimentando-me dessa aversão visceral que tenho do tempo que perco, essa atração pela adrenalina sem conseguir conduzi-la, esse tesão por vida e mais vida, se é que posso comprimi-la, nesse pedaço de alguma coisa que insisto em dizer que estou ‘vivendo’ e escrevendo.

É como Bukowski diz: ‘É preciso haver um outro lugar para ir’. Um lugar para fugir quando a cerveja não resolve longe de tudo, onde possamos escapar da loucura dentro de cada um e sermos livres de nossos próprios sentimentos, de cada angústia, ansiedade.

Eu não sei esperar.

E não sei separar também o amor do medo. Desculpa. Eu devia aprender, alguém poderia ter me ensinado, mas do que é o amor senão do medo? O medo nos alerta, ele cuida, do que é indefinido, nos mostra qual risco vale a pena. Afinal de que valeria amar sem sentir medo de machucar o próximo, de que forma eu te amaria por mais completo se eu quisesse te machucar ou não me importasse se estava te fazendo triste ou feliz.

O medo faz parte do amor, e vice-versa.

Mas eu devia aprender pelo menos a esperar. Devia aprender a dar um beijo e não ficar já ansioso pelo outro, queria não sentir coceira nos braços com vontade de abraçar só por estar perto, queria não ter milhões de respostas para o gelado silêncio e ficar criando perguntas, assuntos, para não te deixar partir…enquanto o que eu menos queria era parar de te olhar e só olhar. Palavras as vezes estragam tudo, por isso estou quieto, por isso preciso aprender a arte de esperar.

Mas não há como escapar. Eu vejo as consequências, e quero, e desejo enfrenta-las. Somos os sonhos que não vivemos, as loucuras que não fizemos e as risadas que não demos. Somos os demônios e os anjos dentro de cada um. Somos a ilusão dos domingos e a diversão com os amigos. Somos os dois lados. Cada um do seu jeito, no mesmo beco sem saída. Mas há tanta luz quando encontro você, o cheiro da sua roupa lavada, o seu cabelo preso e como pronuncia cada palavra, acendem meu coração em uma vigília de esperança. E porquê não nos darmos um gole de vida?

Quem sabe, eu para você, você para mim. Isso é a saída.

Eu vou esperar, por você, vou aprender a esperar.

(Só não demora não, ok?)

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2 comentários Adicione o seu

  1. “…essa atração pela adrenalina sem conseguir conduzi-la, esse tesão por vida e mais vida, se é que posso comprimi-la, nesse pedaço de alguma coisa que insisto em dizer que estou ‘vivendo’ e escrevendo.”

    Eita. Eita.
    Excelente. Vou guardar essas linhas na minha pasta de frases para lembrar!

    Obrigado por captar sentimentos e colocar no papel. Assim posso guardá-los. Ter eles materializados.
    Obrigado.

    Curtido por 1 pessoa

    1. dchicarelli disse:

      Eu que agradeço! É bem isso, desse jeito, minha missão é sempre essa, materializar sentimentos, definhar cada um deles, e engolir, de novo, pois são nossos!

      Aguardo novas visitas!

      Curtir

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